segunda-feira, 14 de setembro de 2009

_Conversando é que se entende

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Reconto uma antiga fábula, que li não sei onde ou me contaram há muito tempo. Como a escrevo de memória, não sei se é exatamente assim, mas aí vai.

Trajando uma magnífica roupa de caçador, o homem caçava na mata. Estava metido na mais negra e escura floresta, e caçava. Mas não procurava uma caça qualquer, não. Procurava uma determinada, uma especial, capaz de proporcionar-lhe uma pele que aquecesse suas longas noites hibernais.

E procurava, e procurava. Procura que procura, eis que senão quando, numa volta da mata, depara nada mais nada menos que com um urso dos maiores. Os dois —o caçador e sua caça— se defrontam diante de uma gruta. O caçador aterrorizado pelo primitivismo e selvageria do animal. O animal apavorado pela crueldade e civilização —na forma da arma e dos projéteis— do caçador. Faminto, foi o urso quem falou primeiro:

— O que é que você está procurando?

— Eu?! – disse o caçador – Estou em busca de uma boa pele com a qual possa abrigar-me e aquecer-me no inverno. E você?

— Eu – disse o urso – procuro algo para o jantar, até porque há três dias que não como.

E os dois se puseram a pensar. Ficaram ambos um longo tempo meditando à porta da gruta e foi de novo o urso quem falou primeiro:

— Olha, caçador, vamos entrar na caverna e conversar lá dentro, que é melhor.

Entraram. E, em meia hora, o urso tinha o seu jantar e, conseqüentemente, o caçador estava devidamente abrigado em seu capote.

Como toda fábula, esta também tem uma moral: conversando a gente se entende.

Me lembrei desta fábula a propósito da baixaria que promete ser a campanha eleitoral deste ano. E não só em Campo Grande ou Mato Grosso do Sul, mas em todo o País. O distinto público talvez ainda não saiba, mas há agora (se bem que não se sabe até quando) dois candidatos disputando o cargo de Governador do Estado. Mesmo faltando mais de um ano para as eleições, os candidatos começam a enviar teleguiados de todos os tamanhos e velocidades aos adversários.

O governador do Estado, André Puccinelli parece ser a bola da vez. Zeca do PT, que já foi governador, só abre a boca pra esculhambar o candidato à reeleição —recentemente afirmou que vai ganhar os votos de chifre, isto é, da militância de André. Mas Puccinelli não fica atrás: anda jurando a todos que encontra que terá o apoio do presidente Lula da Silva, líder e ídolo de Zeca do PT.

Como se vê, é conversando que a classe política se entende, ainda que, volta e meia, a conversa leve um a tentar engolir o outro. O bom do diálogo na política em época de campanha eleitoral é que sempre tem um político tentando fazer o outro calar a boca.

Moral da história: quem fala demais dá bom dia a cavalo.

Um comentário:

Maria disse...

Se a candidatura petista não for "engolida", 2010 realmente promete ter a campanha da baixaria. Mas discordo de vc quando diz que o Zeca só abre a boca para esculhambar o governador. Ambos fazem isso. E ambos usam um palavreado muito vulgar. É a "pornopolítica" tomando o lugar das propostas. Dia desses, na Assembleia, os deputados discutiram o assunto e um deles chegou a sugerir que elencassem as expressões chulas dos dois pré-candidatos, para saber qual é o pior. A que ponto chegamos...