terça-feira, 16 de junho de 2009

_Nome aos bois

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Quando, em 1977, o general Ernesto Geisel, presidente de plantão do País, assinou o primeiro documento que dividia o antigo Estado de Mato Grosso em dois, a porção do sul foi denominada Estado de Campo Grande. Mas um grupo de notáveis mato-grossenses do sul não gostou e foi até o presidente pedir que a nova unidade da Federação se chamasse Mato Grosso do Sul. Numa atitude pouco comum, Geisel cedeu e tascou lá Mato Grosso do Sul. Foi um erro. Desde então o novo Estado e seu povo vêm procurando essa tal identidade, mesmo porque até hoje, passadas mais de três décadas da divisão do Estado, ainda tem gente que chama isto aqui de Mato Grosso.

É como se a nossa identidade estivesse apenas no nome do Estado. É óbvio que não está, mas volta e meia aparece alguém insistindo em mudar o nome de Mato Grosso do Sul. A última onda foi encabeçada pelo ex-governador José Orcírio, dito Zeca do PT, que queria porque queria o nome de Estado do Pantanal. Deu em nada. Agora é o deputado estadual Antonio Carlos Arroyo (PR) que mentoreia a coisa. Nesta terça-feira (16/jun.) mesmo houve uma reunião sobre a mudança do nome do Estado, realizada na Presidência da Assembléia Legislativa.

Segundo o sítio de notícias Midiamax, "o encontro não resultou em qualquer encaminhamento prático sobre o assunto, mas segundo o deputado estadual Antonio Carlos Arroyo (PR), que encabeçou os debates, o principal resultado da reunião foi a manifestação de 13 parlamentares como favoráveis à realização de um plebiscito sobre a mudança (sic)." Diz ainda o Midiamax que "Arroyo acredita que o número chegue a 18."

Nem todos os que defendem a realização do plebiscito, no entanto, são favoráveis à mudança de Mato Grosso do Sul para Pantanal. Muita gente é contra, creio que até porque Pantanal é um nome danado de feio. Além disso, pantanal não significa coisa lá muito limpa: é uma grande extensão de pântano, que por sua vez significa região ribeirinha coberta por águas paradas ou planície inundada. Essa gente toda acredita que essa coisa de identidade não está propriamente na denominação do Estado, mas em questões mais profundas, tais como cultura, política, sociedade, economia e comunicação (raramente se fez uma comunicação realmente séria neste Estado), entre outras.

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não são nomes também muito cristãos. Grosso, no caso, tem o significado de grande. E toda vez que alguém fala em Mato Grosso do Sul ou Mato Grosso peno logo num enorme tora de peroba ou de angico, ou numa borduna ou alguma outra coisa pesada para dar bordoadas. Além disso, grosso é um adjetivo com muitos significados, digamos, não muito decentes, tais como volumoso, corpulento, que não passou por processo de refinamento, gordo, corpulento, objeto cuja superfície, no contato, apresenta desagradável irregularidade; áspero; malfeito, mal acabado, grosseiro, provido de eqüinos, bovinos e muares (diz-se de gado); que é grosseiro, incivil, impolido, abundante, anafado, beberrão, cerrado, espesso e vultoso, cafona, embriagado e malcriado. Não basta?

Parece que ninguém pensa em outro nome. E como este blog tem a divisa de "metendo o bedelho em tudo", resolvi dar pitaco também. Assim, sugiro alguns nomes para este malfadado Estado de Mato Grosso do Sul. Aí vai um rolzinho, com algumas explicações, quando necessárias:

▪ Caiman – e pros jacarés, nada?
▪ Estado de Campo Grande.
▪ Estado do Caá – um dos nomes da erva-mate, planta de fundamental importância para a economia da região. Este tem a vantagem de ser bem curtinho. Já imaginou você respondendo a pergunta "de onde é você?" Sou lá do Caá... Que charme.
▪ Guaicurúndia – em homenagem aos índios guaicurus, que habitaram a região.
▪ Neloria – claro, né? Afinal, aqui tem dez vezes mais nelores do que humanos.
▪ Pedrossiania – em homenagem ao ex-governador Pedro Pedrossian, que é vaidoso o suficiente para colocar o próprio nome em obras que ele mesmo realizou, como é o caso do Estádio "Pedro Pedrossian".
▪ Teressilvania – homenagem aos terenas (outros índios que habitaram a região), com um neologismo criado a partir de acrônimo com a junção de partes das palavras terena e silvania (palavra derivada de silva, sinônimo de selva, floresta). E de lambuja a gente ainda reverencia o Nosso Guia Lula da Silva.

A bem da verdade, o nome até que não importa muito. O importante é que nossos políticos resolveram perguntar ao povo se quer mudar o nome do Estado. Nada mais saudável que a participação da sociedade em algo crucial como este. Sempre é bom lembrar que na hora de criar o Estado, ninguém perguntou pro tal de povo se queria ou não dividir o Mato Grande, ou melhor, o Mato Grosso. Além disso, nós quase não temos problemas, é ou não é? Assim, vamos logo tratar de resolver esse problemão do nome do Estado. Até porque ser sul-mato-grosssense me deixa muito subdesenvolvido.

4 comentários:

JONATAS AZZOLINI DESIGNER GRÁFICO disse...

Poh!... mto bom mesmo, adotei a idéia !!! Já estou divulgando seu post. Parabéns e abraço.

Casa do Maribondo disse...

Mais duas sugestões de nomes enviados por amigos via email: São Paulo d'Oeste e Paraguai do Leste.

Luiz Roberto Lins Almeida disse...

vim aqui por conta de uma dica no twitter. Coincidentemente, há mais gente dizendo que o que importa não é a mudança de nome, mas a afirmação de uma identidade (http://pontoscegos.blogspot.com/2009/06/projeto-levante-cultural.html)
Gostei mesmo da ironia com a qual vc encerrou o post.
Quanto aos nomes do Estado, há uma proposição de um amigo: Bugrinolândia ou Indiolândia.
Abração

Casa do Maribondo disse...

Vou adotar Bugrinolândia e Indiolândia entre as minhas sugestões. Obrigado pepla leitura e pelas dicas.