segunda-feira, 22 de março de 2010

Qualquer um que ande pelas ruas das cidades brasileiras fica impressionado com a quantidade de igrejas evangélicas existentes. São templos, pontos de pregação, salas e até portinhas, onde o nome de Jesus é exaltado e os devotos reúnem-se para exercer a sua fé. Há uma enorme proliferação de igrejas e seitas pentecostais e neopentecostais no Brasil, notadamente em locais carentes. Muita gente se pergunta por que isso está acontecendo. A resposta é simples: é muito fácil fundar uma igreja: aluga-se uma garagem, ou na própria casa, pega-se uma bíblia e está iniciado o grande empreendimento, ou melhor, igreja.

Por trás de tantas seitas está o dinheiro e a vontade de enganar as pessoas. Juridicamente, são necessários apenas de 420 reais em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis para se registrar uma seita ou igreja. É tudo muito simples: não existem requisitos teológicos ou doutrinários para criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis. Depois de registrada a igreja —a documentação é a mesma de qualquer firma comercial—, é possível abrir uma conta bancária através da qual realiza-se aplicações financeiras isentas de IR e IOF.

Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se o pastor, bispo, papa ou seja lá o que levar a coisa adiante, pode se livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros "is" de bens colocados em nome da igreja. Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes e dirigentes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório e direito a prisão especial.

Também não há regras quanto a nomes. Basta pesquisar na Internet para encontrar os nomes mais extravagantes: Congregação Anti-Blasfêmias, Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta, Igreja Explosão da Fé, Comunidade do Coração Reciclado, Igreja Batista a Paz do Senhor e Anti-Globo, Igreja Menina dos Olhos de Deus, Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água, Igreja Cristo é Show, Igreja Evangélica Florzinha de Jesus, Igreja Evangélica Bola de Neve, Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado, Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo e Igreja Pentecostal Planeta Cristo, entre outras centenas de nomes tão ou mais rebarbativos.

Ao passar diante desses templos é possível ver as cenas mais desabusadas; num deles apagaram-se todas as luzes do templo, que mais parece uma loja, na Rua Calógeras, umas das vias mais movimentadas de Campo Grande, e acendeu-se uma luz vermelha que piscava como num filme de terror ou num lupanar. Muitas pessoas naquele momento, como afirmava o pastor, estavam possuídas —e por quem? Pelo cramulhão em pessoa, é claro. A cena é mais comum do que se imagina. Mas o mais importante é o que vem depois do “desencapetamento”: as promessas das bênçãos. Aqui deve entrar uma boa oferta porque o dinheiro é do demônio. Então o fiel tem que pagar o dízimo, tem que fazer oferta para ser levada à fogueira santa ou até mesmo para ser queimada (apesar de nunca ter escutado ou visto uma seita que queimasse o dinheiro).


Aqui começa tudo, a pessoa cada vez mais tem a necessidade de dar porque quer um emprego, tudo gira em torno do ser rico, ganhar muito, ter muito dinheiro, saúde, amor etc. Aqui está a explicação das igrejas que ficam o dia inteiro com as portas abertas: quanto mais pessoas, mais dinheiro e mais sucessos. Pessoas que diante do sofrimento de cada dia vão buscar um consolo e não sabem onde estão caindo!…


Uma análise dessa realidade, mostra que essas seitas oferecem roupas, comida, calçados etc. Tudo para as pessoas comecem a freqüentar o estabelecimento. Parece brincadeira, mas é assim que começam a comprar e a induzir as pessoas fragilizadas pela vida que se aproximam, e como estas são simples, caem facilmente no conto do “chapeuzinho vermelho”.


Uma pessoa que prefere não se identificar e que freqüentou uma dessas seitas por mais de cinco anos, conta que prometeram de tudo a ela. Foi desencapetada e era fiel no seu dízimo, passando até por privações em sua casa, porque Deus precisava da sua grana para abençoá-la. Depois de um tempo não tendo mais nada para ofertar, fez empréstimos. Final da história: ficou com uma dívida enorme. Preocupada com a situação, procurou o pastor da igreja que freqüentava e perguntou onde estavam as bênçãos que Deus lhe prometera… Estava cheia de dividas e não tivera nenhuma prosperidade na vida… Resposta do pastor: ”você é filha do demônio, por isso você não foi abençoada”.


Parece séria uma resposta destas a uma mulher que fez tudo inocentemente e enganada? Você já se perguntou quantas vezes a “igreja” que você pertence já se dividiu?


Na tradução grega a palavra Diabolus significa divisor. Na origem de novas seitas, estão quase sempre divisões e desentendimentos entre pastores, e por isso proliferam. Ao não se entender com o outro pastor, logo forma a sua “igrejinha”. E o pior, ao invés de ajudarem, enganam pessoas simples que pensam estar no caminho certo. Formam-se seitas para todos os gostos do mercado: numa “igreja” é permitido aos jovens fazerem de tudo, na outra é possível casar várias vezes, na outra é fazer política partidária… E assim vai…


A religião tem se tornado um meio de enriquecimento para poucos, enquanto os simples e pobres bancam tudo isso na esperança de uma mudança. Quem vive dentro do templo, sabe: templo é dinheiro! E é assim que tem vivido muitos donos de franquias evangélicas.


Mas o evangelho é pregado? De maneira nenhuma! O evangelho dos franqueadores do céu, é o evangelho de Mamon, o evangelho da Barganha. Não salva, não cura nem liberta, apenas enriquece, aprisiona e adoenta. A verdade do evangelho é renunciar a si mesmo, e converter-se a Deus. Não faz apologia a pobreza, mas não se fixa em buscar a riqueza. Não busca o crescimento da matéria, mas busca a diminuição do ego, da carne e da mentira.


Não é à toa que hoje em dia os templos (templo, entre outras coisas, significa lugar digno de respeito) lembram muito lojas ou outros estabelecimentos que se dedicam ao comércio —verdadeiros bolichos divinos. Talvez por isso, para a salvação e as bênçãos de Deus não tem preço, para todas as outras existe o DizimoCard. Virgem Maria rogai por nós!

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